“Tenho pena do policial que atirou em mim”
07/09/2007 às 00:34
Delegado Alexandre Neto acredita que atentado foi praticado por um “policial incompetente”, por ter errado a mira
Seja de um lado ou de outro, o delegado-adjunto da Divisão Anti-Seqüestro (DAS), Alexandre Neto, acredita que os envolvidos na tentativa de homicídio que sofreu são policiais.
Acenando com várias possibilidades que poderiam motivar o crime, o delegado preferiu adotar a cautela e não citar nomes, mas fez referências a dois desafetos na Polícia Civil na última gestão e que hoje são parlamentares.
Além disso, a vítima também crê na possibilidade de o ataque ter sido orquestrado por agentes ligados a supostas irregularidades no Instituto Médico Legal (IML) e ao ex-diretor do órgão, Roger Ancilotti.
- Como delegado, não posso descartar nenhuma possibilidade. Onde há dinheiro, há interesses. São dois parlamentares que trabalharam muito para chegar onde chegaram usando muito a polícia do Rio de Janeiro.
Usaram a estrutura do Estado e estão aí, tranqüilamente. Não vou dar nomes, eles são muito conhecidos. Quanto às denúncias feitas por Daniel Ponte (exvice- diretor do IML), tudo é verdade.
Aquele IML foi uma vergonha durante oito anos. Agora, estão tentando melhorar - analisa Neto durante entrevista coletiva na suíte do Hospital Quinta D´or, em São Cristóvão, na tarde de ontem.
Sobre a ida de Roger Ancilotti para a Delegacia de Repressão a Crimes contra a Saúde Pública (DRCSP), o delegado informou que enviou uma comunicação à Secretaria de Segurança Pública dizendo que havia um desvio de função grave.
No entanto, o documento foi encaminhado ao chefe de Polícia Civil, Gilberto Ribeiro, que determinou a abertura de sindicância pela DAS e punição a Neto por ter "extrapolado".
- Uma lei estadual veta que um perito legista atue fora do Instituto Médico Legal. Fui à audiência na Alerj e falei isso. Surpreendentemente, nada foi feito. Quer dizer, o secretário de Segurança (José Mariano Beltrame) repassou a comunicação ao Gilberto, que mandou o Fernando Moraes (titular da DAS) abrir sindicância.
O Roger não pode estar na delegacia. Ele tinha de estar no IML, sentindo aquele cheiro horrível - disse. Disposto a continuar suas denúncias contra os desafetos da polícia, disse que não sofreu um atentado por acaso.
- Quando acontece uma coisa dessas é porque estamos no caminho certo. Acho que cabe às autoridades investigar para que isso não aconteça com outras pessoas que denunciam irregularidades.
Críticas e ironia ao falar dos desafetos na corporação
No ano passado, Neto denunciou que o ex-chefe de Polícia e atual deputado estadual Álvaro Lins (PMDB-RJ) estaria envolvido com a máfia dos caça-níqueis.
Ao falar sobre a conversa em que a inspetora licenciada e deputada federal, Marina Magessi (PPS-RJ), diz a um amigo policial que deveria dar "um monte de tiros nos cornos" de Neto por causa dos dossiês de investigações produzidos por ele.
O delegado foi irônico ao ser provocado a dizer que quem proferiu a frase foi "a Marina". - Marina, não. Que intimidade é essa? Deputada Marina Maggessi, a doutora, porque às vezes ela tira onda de delegada.
Muito respeito. Hoje ela é deputada, tem prerrogativa de foro e é uma política importantíssima para o Estado. Fiquei até preocupado quando ela foi para Brasília. Liguei para ela e falei:
'Você vai deixar seu pessoal aqui, na pista?' O pessoal dela deve estar numa delegacia dessas qualquer. Mas ela está bem, ganhando um bom dinheirinho - afirmou. Mostrando boa disposição após a cirurgia de terça-feira, Alexandre Neto criticou a chamada "polícia política".
- Enquanto o político manipular a polícia, vamos ter a polícia da ditadura. Estamos numa democracia que ainda usa a polícia para auferir vantagens. A polícia precisa ficar imune aos políticos.
Apesar da dezena de tiros disparados contra o seu carro, Neto acha que quem atirou não fez bem o "serviço". - Tive sorte, mas a pessoa foi incompetente. Tenho pena dela, que sabe manusear uma arma, mas fez mal o serviço e pode ser cobrada.
Quem fez isso está trabalhando contra ele mesmo. Luto por melhorias para a categoria. Ajudei a formar o Sindicato dos Delegados e ajudamos todo mundo - falou Neto, de 49 anos, há 20 na Polícia Civil.
Nova perícia no carro
Ontem, o titular da Delegacia de Homicídios (DH), Roberto Cardoso, responsável pela investigação do caso, informou que foi feita nova perícia no Gol branco em que Neto estava, com o objetivo de que fossem encontradas cápsulas para a identificação do tipo da arma usada pelos bandidos.
A 1ª Central de Inquéritos do Ministério Público recebeu no dia 27 de fevereiro último o dossiê produzido pelo ex-diretor do IML Daniel Ponte.
Em 7 de março, o titular da 23ª Promotoria de Investigação Penal, Homero das Neves Freitas Filho, requisitou, através da portaria 02/07, abertura de inquérito policial junto à Corregedoria da Polícia Civil.
Neto será ouvido pela Corregedoria da Polícia Civil, como testemunha de inquérito que apura irregularidades no órgão. Já o deputado estadual Paulo Ramos (PDT-RJ) pediu ontem a abertura da "CPI do IML" na Assembléia Legislativa.
Fonte: Povo do Rio
http://www.aperjperitosoficiais.org.br/site/?acao=ver_noticias&c=317
sábado, 22 de março de 2008
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